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ARTISTA ROBÔ AI-DA AVENTURA-SE NA ARQUITECTURA

2026-01-28




Depois de se ter consagrado como pintora, a primeira artista robô do mundo, Ai-Da, está a aventurar-se na arquitetura. O seu projeto retrofuturista, gerado por inteligência artificial, para "um edifício do futuro" foi exibido na Dinamarca.

A casa-estúdio imaginada "convida à reflexão sobre como humanos e humanoides podem trabalhar juntos de forma positiva para moldar o futuro da vida", explicou a própria Ai-Da.

Ai-Da é um projeto artístico experimental iniciado pelo galerista britânico Aidan Meller em 2019. Com uma forma humanoide, há muito que chama a atenção pela sua inteligência artificial única que "vê" o mundo à sua volta através de câmaras e controla o seu braço robótico de alta tecnologia para criar arte.

Ai-Da é atualmente uma das principais atrações da exposição “Eu não sou um robô”, que explora a forma como os robôs vão moldar a arquitetura do século XXI, patente no Centro Utzon, na Dinamarca, até 18 de outubro. Este mês, ela revelou a sua própria visão para o futuro. O conceito da criação de Ai-Da é um edifício adaptado para “exploração espacial e espaços de convívio para humanos e humanoides”, disse Meller à Dezeen. Assim, a estrutura principal é uma cápsula de bordos suaves, envolvida por amplas janelas curvas. Ai-Da contou à revista que este visual foi inspirado no otimismo da era espacial das décadas de 1950 e 1960.

Meller, que tende a evitar o assunto sobre o grau de autonomia de Ai-Da nas suas criações, mas admite que trabalha com uma equipa de “assistentes”, afirmou que o projeto do edifício surgiu de um diálogo constante entre o robô e a sua equipa.

“Isto exemplifica a forma como os artistas humanos trabalham — por vezes usam as suas influências de interações passadas com outras pessoas ou experiências anteriores, ou por vezes aceitam encomendas”, explicou. O mito de que os artistas trabalham isoladamente foi desmistificado pela “crítica pós-moderna”, acrescentou, enquanto o projecto Ai-Da pretende ser uma “reflexão sobre a condição humana à medida que incorporamos cada vez mais a IA nas nossas vidas”. No entanto, insistiu, ela mantém sempre “a maior influência criativa, pois é a principal artista e executante das suas obras”.

Ai-Da, cujo nome, um trocadilho, é uma homenagem à matemática do século XIX Ada Lovelace, tornou-se uma figura reconhecível pelo seu cabelo curto e pelo seu macacão. Em 2022, ela discursou no parlamento do Reino Unido sobre o futuro da IA. Em 2024, o seu tríptico A.I. God foi a primeira obra criada por um robô a ser vendida pela Sotheby’s, atingindo o impressionante valor de 1 milhão de dólares.

A exposição “I’m not a robot” está patente no Utzon Center, em Aalborg, na Dinamarca, até 18 de outubro. Os projetos arquitetónicos de Ai-Da também serão exibidos em Londres ainda este ano.


Fonte: Artnet News