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AI WEIWEI REGRESSA À CHINA APÓS UMA DÉCADA DE EXÍLIO2026-01-27O artista dissidente chinês Ai Weiwei regressou discretamente à China no mês passado, depois de ter passado uma década exilado na Europa. A inesperada viagem de três semanas a Pequim foi a primeira visita de Ai desde que as autoridades lhe devolveram o passaporte confiscado em 2015, permitindo-lhe começar uma nova vida no estrangeiro. Mais conhecido internacionalmente pela sua oposição declarada ao governo chinês e pela sua arte que aborda a violência estatal, a censura e os direitos humanos, Ai viveu na Alemanha, no Reino Unido e em Portugal desde que deixou a China em 2015. O seu regresso ao país natal, incluindo um breve interrogatório no aeroporto, mas sem grandes interferências, levantou questões sobre a forma como as autoridades chinesas calculam agora os riscos de confrontar um dos seus mais famosos críticos culturais — e que espaço, se algum, ainda resta para a dissidência. Ai Weiwei usou o Instagram para partilhar várias fotografias e vídeos da sua estadia de três semanas em Pequim, motivada em parte pelo desejo de que o seu filho de 17 anos e a sua mãe de 93 anos se conhecessem. Em alguns vídeos sem áudio, grupos de amigos e familiares aparecem relaxados enquanto conversam. Noutro, Ai fuma três cigarros enquanto pratos repletos de comida giram lentamente numa mesa giratória. “Foi como uma chamada telefónica interrompida durante 10 anos que de repente se voltou a ligar”, disse Ai à CNN sobre a viagem. “O tom, o ritmo e a velocidade voltaram a ser como eram antes.” Ele observou que foi um alívio voltar a falar chinês depois de tanto tempo. Ai disse que não tomou nenhuma precaução especial ao planear a viagem. Embora tenha sido mandado parar, “inspecionado e interrogado” durante quase duas horas à entrada na China pelo principal aeroporto de Pequim, disse que as perguntas foram “muito simples”. Especula-se que mais de uma década de censura ao nome de Ai Weiwei na China tenha sido eficaz para reduzir o conhecimento sobre o artista e a sua obra. Ao mesmo tempo, o país pode ter desejado evitar o espectáculo internacional de lhe negar a entrada. Em várias entrevistas recentes para promover o seu novo livro, Ai Weiwei sobre a Censura, Ai afirmou acreditar que o Ocidente também enfrenta as suas próprias formas de censura e que a sociedade ocidental está em declínio. Embora não soubesse explicar porque é que a China, que, por outro lado, está numa "fase ascendente", não interferiu na sua viagem a Pequim, acreditava que isso poderia sinalizar uma aceitação da sua prática. "Embora um país ou grupo possa discordar das minhas posições, pelo menos reconhece que falo sinceramente e não para obter ganhos pessoais", disse. Em 2011, Ai foi acusado de evasão fiscal e detido na China durante 81 dias, embora não tenham sido apresentadas acusações formais contra ele. O seu passaporte também foi confiscado e, após a sua libertação, Ai passou quatro anos em prisão domiciliária antes de fugir da China em 2015. Estas ações do governo chinês têm sido geralmente vistas como uma tentativa de silenciar a dissidência. Nos anos anteriores, Ai tinha produzido obras politicamente engajadas, como Hua Hao Yue Yuan (2010), um documentário de duas horas que detalha os abusos sofridos por dois ativistas chineses presos por protestarem contra o Partido Comunista Chinês. Fonte: Artnet News |













