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“GUERNICA” PODERÁ DEIXAR MADRID PELA PRIMEIRA VEZ EM MAIS DE 30 ANOS

2026-03-31




O governo da região basca solicitou formalmente ao Ministério da Cultura espanhol a autorização para um empréstimo temporário de "Guernica", de Pablo Picasso, ao Museu Guggenheim Bilbau, segundo o jornal catalão Ara. Caso a transferência seja aprovada, será a primeira vez que a pintura viaja desde que foi instalada no Museu Reina Sofía, em Madrid, em 1992.

A transferência proposta ocorreria entre outubro de 2026 e junho de 2027, coincidindo com o 90º aniversário do bombardeamento de Guernica, a cidade basca cuja destruição pelas forças aéreas nazis e fascistas italianas, a 26 de abril de 1937, inspirou Picasso a pintar a tela antibélica.

Imanol Pradales, o lehendakari, ou chefe de Governo, do País Basco, no norte de Espanha, disse que o empréstimo proposto seria "uma fórmula para a reparação simbólica e memória histórica" ​​para o povo basco, bem como uma "mensagem para o mundo" sobre "o que a guerra implica e a atrocidade que deriva da ditadura", segundo Ara.

Este está longe de ser o primeiro pedido de transferência do governo basco para Guernica. O governo já o fez várias vezes ao longo dos anos para outros aniversários, bem como para a inauguração do Guggenheim Bilbao em 1997. Barcelona também solicitou uma transferência em 1992. Nenhuma foi bem-sucedida até agora.

Pintada em Paris ao longo de cinco ou seis semanas, a tela monumental mede 3,48 metros por 7,77 metros. Foi exibida pela primeira vez na Exposição Universal de 1937, antes de percorrer a Europa e os Estados Unidos. Foi levada para o Museu de Arte Moderna (MoMA) em 1939, com Picasso a estipular que não deveria regressar a Espanha até à restauração da democracia. Com o fim da ditadura de Franco em 1975, o MoMA transferiu a pintura para Espanha em 1981, primeiro para o Museu do Prado e, em 1992, para o Museu Reina Sofía. Permanece lá desde então.

Se depender do Museu Reina Sofía, a obra permanecerá lá. O museu divulgou um relatório na semana passada no qual "desencorajou fortemente" qualquer transferência, alegando que a obra é demasiado frágil para viajar. O governo basco, por sua vez, propôs uma comissão conjunta para avaliar a viabilidade e os custos de uma mudança.

Embora normalmente parecesse um caso simples e direto, o atual pedido referente a Guernica poderá prosseguir devido à peculiar conjuntura política de Espanha neste momento. Segundo o jornal The Times de Londres, o primeiro-ministro Pedro Sánchez lidera um governo de coligação minoritária que depende de dois partidos nacionalistas bascos, ambos os quais levantaram a questão de Guernica.

Pradales chegou a alertar Sánchez de que negar o pedido seria “um grave erro político”. Sánchez ainda não tomou uma decisão final, e Pradales afirmou que espera retomar as discussões com o Ministério da Cultura após o feriado da Páscoa.


Fonte: ARTNews