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“YORGOS LANTHIMOS: PHOTOGRAPHS” EM ATENAS

2026-03-30




O aclamado realizador de "Canino" e "Pobres Criaturas" apresenta pela primeira vez na Grécia uma grande exposição de 182 fotografias que tirou nos últimos cinco anos.

No Centro Cultural Onassis, em Atenas, temos a oportunidade de conhecer uma faceta artística diferente e pouco conhecida de Yorgos Lanthimos. O realizador grego internacionalmente aclamado e premiado, mestre da imagem em movimento, apresenta a sua paixão pela imagem estática. A exposição "Yorgos Lanthimos: Photographs" tem curadoria de Michael Mack, foi encomendada e produzida pelo Centro Cultural Onassis e concebida por Loukas Bakas.

O amor por este meio desenvolveu-se nos últimos cinco anos. O realizador admite que lhe oferece liberdade em relação ao cinema e o liberta das enormes obrigações dos grandes estúdios. Durante a conferência de imprensa, sublinhou:

"O que gosto na fotografia é sobretudo a forma como se diferencia do cinema, apesar de tecnicamente ambos partirem do mesmo ponto. Na escola de cinema aprendemos logo que o cinema é essencialmente 24 imagens por segundo. Por isso, tecnicamente, é preciso passar pelo processo de aprendizagem da fotografia. Não sabia desde o início que me iria interessar tanto pela fotografia em si. Também comecei por pensar que tinha de aprender fotografia antes de passar para o que me interessava mais, que era o filme. Lentamente, através do processo de realização de filmes, em que tinha de utilizar a fotografia de qualquer forma, comecei a gostar cada vez mais dela, porque me dava outro escape durante a realização dos filmes.

Também gosto muito da ligação prática. Gosto muito de câmaras. Gosto da câmara escura, de revelar película, de imprimir fotografias. O imediatismo de criar algo. Ou seja, podemos ir dar um passeio, usar um rolo de película, ir para casa, revelá-lo, imprimir duas fotografias e segurá-las na mão e olhar para elas. Tudo isto tem uma satisfação muito imediata ou uma desilusão quando não se está a fazer muito bem. A satisfação é muito grande e imediata quando comparada com outras coisas".

A exposição no Centro Cultural Onassis desenvolve-se em quatro secções. As três primeiras têm a ver com os locais e as pessoas que protagonizam os seus filmes. Trata-se de fotografias tiradas à margem das filmagens, em locais da cidade e em estúdios.

A quarta secção é apresentada pela primeira vez em todo o mundo e é uma série contínua de fotografias pessoais a preto e branco tiradas na Grécia. Nestas fotografias, recolhidas durante passeios solitários nos arredores de Atenas e em visitas às ilhas gregas, Lanthimos concentra-se no quotidiano e no banal, explorando o potencial de abstração e transformação do meio:

“Lembro-me que sempre gostei de tirar fotografias a preto e branco. Mesmo quando comecei na Grécia, a trabalhar em anúncios publicitários onde tudo tinha de ser muito limpo e muito bonito, sempre tive tendência para fotografar a preto e branco. Estive fora durante cerca de dez anos e quando regressei, de certa forma, tinha-me distanciado da Grécia. Nessa altura, acho que escolhi muito conscientemente o preto e branco, não em relação à fealdade, mas pelo contrário, em relação a uma estética de postal que nos é familiar. E porque estava muito interessado em fotografar nas ilhas, no mar, em sítios assim. Não queria que estas cores de postal desviassem a atenção do tema em si. Não estava a tentar esconder a fealdade. O que eu queria era que não me distraísse do que me interessava nestas imagens em particular."

Concebida sob a forma de um templo grego clássico, a exposição cria um espaço central que faz lembrar um altar, onde estão expostas 110 novas obras de Lanthimos, enquanto os três conjuntos de obras ligadas aos seus filmes são apresentados no perímetro exterior, de modo a que o público passe da sua obra bem conhecida para o núcleo interno da sua nova obra fotográfica.

A exposição decorre até 17 de maio.


Fonte: Euronews