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O ÉPICO CICLO DOS MÉDICI DE RUBENS GANHA UMA NOVA VIDA NO LOUVRE

2026-03-27




O Louvre anunciou o seu projeto de restauro mais ambicioso até à data. O museu parisiense planeia devolver às 24 telas do Ciclo dos Médici de Peter Paul Rubens o seu esplendor barroco original.

A monumental série foi uma das mais prestigiadas realizações do mestre flamengo, produzida entre 1622 e 1625 por encomenda da Coroa Francesa. Em cerca de 3.150 metros quadrados de superfície pintada, Rubens dramatizou cenas da vida de Maria de Médicis, uma princesa toscana que se tornou Rainha de França em 1600. O Ciclo dos Médicis é considerado um dos maiores tesouros do Louvre, sendo uma obra exemplar de retratos da corte, repleta de pormenores alegóricos, que influenciou gerações de pintores franceses, desde Jean-Honoré Fragonard a Eugène Delacroix.

Em outubro, a atual sede do ciclo, na Ala Richelieu do Louvre, será transformada numa oficina temporária para que as pinturas possam ser restauradas no local, mas à porta fechada. O tamanho colossal das telas exigiu a criação de equipamentos à medida, incluindo enormes cavaletes. Os restauradores aproveitarão a oportunidade para analisar os materiais das pinturas, na esperança de fazer novas descobertas sobre o processo criativo de Rubens.

O projeto de restauro, que marca a história do museu, deverá demorar pelo menos quatro anos. Está em curso desde 2016, quando uma avaliação inicial apontou problemas com o estado das pinturas. Uma análise mais aprofundada, realizada em 2020, revelou que o verniz tinha amarelecido devido à oxidação e que, em alguns pontos, a tinta tinha começado a desprender-se da tela. Estes problemas serão resolvidos e quaisquer danos nas composições serão reparados para garantir a preservação e a legibilidade das obras a longo prazo.

Esta missão foi possível graças a um donativo de 4 milhões de euros (4,6 milhões de dólares) da Sociedade Amigos do Louvre, embora o custo total do projeto não tenha sido divulgado. O trabalho será realizado sob a direção de Sébastien Allard, diretor de pintura do Louvre.

Rubens estava no auge da sua fama internacional quando foi escolhido para pintar o ciclo dos Médici, que produziu na sua cidade natal, Antuérpia. As pinturas foram enviadas da Flandres para França para decorar uma galeria na residência da rainha, o Palácio do Luxemburgo, em Paris.

Três das pinturas são grandes retratos da rainha e dos seus pais, enquanto outras 21 contêm cenas que mitificam a sua vida, incluindo o seu nascimento, educação, casamento, coroação, maternidade e o período em que serviu como regente após a morte do marido e a juventude do seu sucessor, o filho do casal, para governar. Em 1631, poucos anos após a conclusão do ciclo, a rainha foi exilada de Paris pelo seu filho. Morreu nos Países Baixos espanhóis em 1642.


Fonte: Artnet News