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O ANO QUE BRANCUSI PASSOU A CAMINHAR DE BUCARESTE A PARIS2024-08-19“A minha vidaâ€, disse Brancusi uma vez, “tem sido uma sucessão de acontecimentos maravilhososâ€. O que faz um grande artista? O talento divino é um bom lugar para começar. Depois, misture uma forte ética de trabalho, espalhe um pouco de acaso e, para garantir, acrescente uma mão cheia de ligações sociais úteis. Para Constantin Brancusi, adicione determinação difÃcil e um par resistente de botas de caminhada. De todos os luminares artÃsticos que chegaram a Paris na viragem do século, nenhum foi mais longe e esforçou-se mais do que o escultor romeno. Em 1903, Brancusi partiu de Bucareste para a capital francesa e percorreu a viagem de 2.400 quilómetros em grande parte a pé. A viagem durou mais de um ano e envolveu dormir ao ar livre e contar com a generosidade de estranhos. Brancusi não foi levado por alguma noção romântica de explorar a Europa ou de mergulhar no mundo natural; estava simplesmente falido e não tinha outra opção. A viagem de Brancusi passou por Budapeste, Viena, Munique (onde fez uma pausa para trabalhar como entalhador), Zurique, Basileia, Alsácia e finalmente Langres, de onde embarcou num comboio graças a fundos que lhe foram transferidos por um amigo. Nascido numa aldeia no sopé dos Alpes da Transilvânia, Brancusi cresceu como um dos sete filhos de uma famÃlia de camponeses. Prejudicado pelo seu código social opressivo e pelas limitadas oportunidades, Brancusi tentou por duas vezes fugir de casa e não conseguiu. Aos 11 anos, conseguiu, trabalhando em trabalhos manuais e matriculando-se numa escola em Tirgu Jiu – mais tarde sede do “Endless Column Ensemble†(1935–38), as únicas esculturas públicas que Brancusi alguma vez fez. A partir daÃ, Brancusi foi primeiro para a Escola de Artes Aplicadas de Craiova e depois para a Academia de Belas Artes de Bucareste, onde se destacou, aperfeiçoando o estilo académico de escultura anatomicamente preciso, que mais tarde abandonaria abruptamente em Paris. A sua última obra da época é uma prova deste estilo - um busto de Carol Davila, considerada uma das fundadoras da medicina moderna na Roménia, vestida com trajes completos (Brancusi trabalhava com uma máscara mortuária). O lugar de Brancusi em Paris pode parecer predeterminado, mas, acabado de sair do serviço militar romeno, foi a Itália, e não a França, que o convocou. Contudo, quando a Igreja Madona Dudu em Craiova rejeitou os seus pedidos de subvenção, Brancusi mudou de foco e fez-se à estrada. Chegou a Paris aos 28 anos e abriu caminho para o sucesso. Após um ano de dificuldades e adaptações, durante o qual foi impedido de fazer escultura profissionalmente, inscreveu-se no atelier de Antonin Mercie na École des Beaux-Arts. Brancusi pagou a sua vida trabalhando como lavador de pratos e servindo missa na igreja ortodoxa romena da cidade. Depois, a sua exposição no Salon d’Autumne de 1906 valeu-lhe um lugar de técnico no atelier de Auguste Rodin, que passava por transformar as composições do mestre do barro em pedra. Rodin era o Ãdolo de Brancusi e o peso pesado artÃstico indiscutÃvel da época. Mas o artista mais novo desistiu ao fim de um mês, porque, como disse, “nada cresce debaixo de árvores grandesâ€. Depois da improvável e árdua viagem pela qual Brancusi chegou a Paris, não deveria surpreender que, uma vez lá, continuasse a traçar o seu próprio caminho. Fonte: Artnet News |













