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MURAL DE LEONARDO DA VINCI OCULTO DURANTE SÉCULOS ABERTO AO PÚBLICO

2026-01-26




Enquanto Milão se prepara para receber os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, a cidade está a libertar brevemente o acesso a uma obra de Leonardo da Vinci que permaneceu oculta durante séculos: uma vasta pintura inacabada numa parede e teto do Castelo Sforza, normalmente escondida atrás de andaimes enquanto é alvo de restauro.

Durante pouco mais de cinco semanas, de 7 de fevereiro a 14 de março, os visitantes poderão subir ao imponente andaime de 6 metros de altura no interior da Sala delle Asse do castelo para observar os restauradores a trabalhar no mural de Leonardo. Após este período, será novamente isolado por mais 18 meses, tornando este acesso público limitado uma rara oportunidade de o ver de perto no meio da restauração.

A pintura, iniciada por volta de 1498 e durante muito tempo obscurecida por gesso, foi recentemente reavaliada como uma obra genuína do mestre renascentista. Segundo cartas históricas do Duque de Milão, Ludovico Sforza, a sala foi pintada em 1498 por Leonardo da Vinci e a sua oficina, que decoraram sumptuosamente as suas paredes e o teto abobadado com desenhos de vinhas entrelaçadas sobre uma pérgula, um dossel criado por 16 árvores e monocromias de raízes e rochas. Contudo, em 1499, Milão foi tomada pela França, obrigando Sforza - e o artista - a fugir.

Durante os séculos seguintes, o castelo foi utilizado para fins militares e as paredes da Sala das Asas foram pintadas, perdendo-se a memória da pintura. Só no final do século XIX foram encontrados vestígios da pintura original. Restaurações subsequentes ao longo do século XX revelaram o mural por completo, mas a sua têmpera continua frágil. Os restauradores estão agora a utilizar papel de arroz japonês com água desmineralizada para remover os sais que penetraram nas paredes e limpar a superfície da pintura. Durante as semanas olímpicas, o castelo oferecerá uma série especial de visitas guiadas durante a fase final de restauro do salão. Os visitantes poderão subir aos andaimes e observar, a poucos centímetros de distância, as exuberantes lunetas da sala.

O conselheiro de cultura de Milão, Tommaso Sacchi, afirmou em comunicado que a oportunidade permite ao público "redescobrir a longa e intensa relação entre Leonardo e a cidade".

Entretanto, nas Salas Panorâmicas do castelo, uma nova instalação multimédia apresentará a história da Sala das Asas e o papel de Leonardo na corte dos Sforza. Afinal, o artista era um dos favoritos do duque, tendo pintado a “Última Ceia” na igreja de Santa Maria delle Grazie, em Milão, por volta da mesma altura.

A partir de 21 de janeiro, a Sala XXI da Pinacoteca do castelo será reaberta ao público completamente reformulada e dedicada aos "Leonardeschi" - artistas formados na oficina de Leonardo ou profundamente influenciados pela sua obra -, com novos restauros e aquisições.


Fonte: Artnet News