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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista geral da exposição Mais nada se move em cima do papel. © Alexandre Baptista


Vista geral com obra de Luisa Cunha, Words for Gardens, 2004. © Alexandre Baptista


Alberto Carneiro, Sobre o meu jardim, 2013. © Alexandre Baptista


Alberto Carneiro, Os ventos de Outono no meu jardim, 2009. © Alexandre Baptista


Rui Chafes, J. Tati, 2013. © Alexandre Baptista


Rui Sanches, Sem título, 2002. Jorge Feijão, Sem título, 2005. Rui Sanches, Barra, segundo David, 1991. © Alexandre Baptista


Nuno Sousa Vieira, Nunca pasa nada (The wrong side),2012. © Alexandre Baptista


Sara Chang Yan, Num plano qualitativo #20, 2020. © Alexandre Baptista


Pormenor de Num plano qualitativo de Sara Chang Yan. © Alexandre Baptista


António Bolota, Sem título (da série Ser Sombra), 2019. Julião Sarmento, How to handle, 2017. © Alexandre Baptista


Júlio Pomar, Figueiras, Anos 60. Júlio Pomar, Caveiras, 1963 e 1959. Luís Paulo Costa, Meanwhile, 2017. © Alexandre Baptista


Pormenor Figueiras de Júlio Pomar e Meanwhile de Luís Paulo Costa. © Alexandre Baptista


Joana Escoval Rain (IX), 2019. © Alexandre Baptista


Teresa Segurado Pavão, Teia e Trama # 7, 2019. © Alexandre Baptista


Rita Gaspar Vieira, Mina, 2019. © Alexandre Baptista


Sara Bichão, Importa-me lá o que seja, quando parte faz clack, 2020. © Alexandre Baptista


Sara Bichão, Costal II, 2017. © Alexandre Baptista


Pedro Tropa, Desenhos fonográficos # 1-12, 2019; Sara Bichão, Costal II, 2017; Sara Bichão, Dream (vertical), 2016. Pedro Tropa, Antena, 2016. © Alexandre Baptista


Pedro Tropa, Desenho fonográficos # 1 – 12 (da série Contratos de Trabalho # 11 e # 12), 2019. © Alexandre Baptista


Rita Ferreira, Fantasma, 2019. © Alexandre Baptista

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MAIS NADA SE MOVE EM CIMA DO PAPEL




CENTRO DE ARTES DE ÁGUEDA (CAA)
R. Joaquim Valente de Almeida 30
3750-154 Águeda

14 NOV - 23 MAI 2021


 

 

 

Mais nada se move em cima do papel [1], exposição com curadoria de Sara Antónia Matos, no Centro de Artes de Águeda, assume-se como espaço de reflexão sobre o desenho, a sua prática e versatilidade enquanto território de experimentação, ao mesmo tempo que se afirma como um projeto audaz, educativo e descentralizador, promovendo um encontro entre o público e a arte contemporânea. Integrada no ciclo O desenho como pensamento [2], a exposição reúne um conjunto amplo de projetos e de artistas que ao longo dos anos têm trabalhado o desenho como um registo transversal às suas práticas, assumindo as mais diversas formas. Não se tratando de uma exposição retrospetiva ou histórica sobre o desenho em Portugal e sobre os seus autores mais especializados, a mostra tem como mote olhar o traço como parte de um pensamento visual que dá origem à obra de arte, remetendo-nos para o desenho enquanto uma condição anterior, uma procura.

Ocupando um lugar central na exposição as duas colunas de som que compõem a obra Words for Gardens (2004) [3] de Luisa Cunha (n.1949) intrigam e provocam curiosidade no espetador. Dispostas sobre o chão, as colunas projetam uma narrativa sobre a prática do desenho, corporizada pela voz da artista, que ecoando pelo espaço nos atrai e acompanha ao longo do percurso expositivo. Como um mantra, o tom calmo e pausado, embora imperativo da voz da narradora assume-se enquanto voz da nossa consciência, comandando-nos e orientando-nos durante o ato de desenhar com um discurso cuja a premissa inicial apresenta uma dimensão negativa: You cannot draw. A voz da artista impulsiona-nos e incita-nos, como num processo de aprendizagem, a ultrapassar medos e receios: You say you cannot draw. You wish you could draw, conduzindo-nos mediante instruções precisas, numa experiência introspetiva, individual e sensorial, que nos guiará pelo processo de desenhar relva e que culminará no desenho de um jardim: You can draw grass. (...)You go on planting grass until the ground is all over covered. You watch the landscape. And you then say: It’s all green and smooth. A importância atribuída ao som, à linguagem e à palavra - dita e escrita - singularizam a prática artística de Luisa Cunha que atinge a sua plenitude nos trabalhos sonoros aos quais empresta a sua própria voz, como acontece na instalação Words for Gardens. O som assume-se como matéria escultórica, revelando o poder da palavra dita que se dirige ao espetador, com o qual cria uma relação de intimidade, incluindo-o na obra - de ouvinte torna-se ator das ações por ela ordenadas, numa relação que implica jogos de perceção, de tempo e de memória. Denote-se nesta obra, um convite para um grau de introspeção e intimidade, conseguido pela harmonia entre o espaço mental e a experiência sensorial, através de um desenho que se assume como exercício de memória, de tradução de uma ideia numa forma, abstração que se materializa/desenha na nossa consciência por meio da palavra.

 

Luisa Cunha, Words for Gardens, 2004. © Alexandre Baptista

 

Aparentemente impossível de fixar no papel, o desenho sonoro descrito e verbalizado pela artista de um jardim em transformação, parece ganhar vida na série de cinco desenhos de Alberto Carneiro (n.1937), Os ventos de Outono no meu jardim (2009). A paisagem que se quer tornar visível, a intensidade e rapidez dos movimentos e dos gestos que se repetem, o toque do lápis na superfície de papel e a direção das linhas sugeridas por Luisa Cunha como que se concretizam nos desenhos do artista. Não se tratam de desenhos calmos e estáticos, pelo contrário, há um sentimento de tensão constante, uma força, uma transformação que nos atraí e move na sua direção. Desenvolvida a partir dos ritmos da natureza e reminiscências dos ventos, a série de desenhos Os ventos de Outono no meu jardim revela-nos - tornando visíveis - as energias contidas nas matérias naturais, numa procura do artista em desvendar os seus movimentos. A relação de intimidade que Alberto Carneiro estabelece com o seu jardim, com a terra, com a arte e com o corpo, a relação entre o indivíduo e a natureza, correntes na sua prática artística apresentam-se nesta série em que o desenho se assume como território de experimentação, revelador dos segredos da terra. Por meio do desenho, intermediário entre o pensamento e a mão, Alberto Carneiro transmite para o papel a realidade que observa e que o rodeia, fixando em imagens as impressões obtidas pelo vento sobre os elementos que faz mover: folhas e pétalas de flores em rodopio sobre o chão. Recordando-nos figuras microscópicas ampliadas, à medida que observamos as imagens, deixamo-nos envolver por uma plasticidade orgânica, pelos movimentos elípticos e coreografados das formas, pela inquietude e tensão dos elementos naturais e também pela sua simplicidade, reveladora da capacidade do artista em fixar através do desenho registos breves, espontâneos e tão imediatos como o sopro do vento no espaço. Estabelecendo uma relação e diálogo com a série apresentada, Num plano qualitativo #20 (2020) de Sara Chang Yan (n.1982), promove à semelhança de Os ventos de Outono no meu jardim de Alberto Carneiro, uma reflexão sobre as potencialidades do desenho enquanto pensamento e disciplina que possibilita ao artista o registo da matéria em movimento e transformação. Assumindo o desenho como uma forma de descoberta, revelador de uma certa realidade [4], a prática artística de Sara Chang Yan move-se pela definição de espaço e pelo modo como este pode ser ativado oferecendo-nos algo. Em Num plano qualitativo #20 a artista confronta-nos com seis realidades, formas abstratas, a partir das quais explora a potencialidade espacial do suporte – o papel – através de gestos e intervenções. Quais cometas, a composição de seis desenhos fixa na parede parece querer saltar e expandir-se pelo espaço expositivo, ideia de movimento reforçada pelas dobras no papel, pequenos detalhes inscritos no plano da obra e que o espetador vai descobrindo à medida que se aproxima do conjunto. A simplicidade das formas contrasta com a multiplicidade dos gestos impressos que estão na origem de diversas realidades num mesmo plano. Traços, linhas, pontos, formas geométricas, incisões e orifícios, conjunto de signos, gestos e qualidades que a artista constrói assumindo uma dimensão quase escultórica, refletem o seu interior, o seu tao.

 

Pormenor das obras: 
António Bolota, Sem título (da série Ser Sombra), 2019
Julião Sarmento, How to handle, 2017
© Alexandre Baptista

 

A vibração e ritmo impressos pelos desenhos de Sara Chang Yan, assim como a relação que a artista estabelece entre esta disciplina e o espaço, perpassam a instalação de António Bolota (n.1962). Fixos a uma parede branca, objetos em papel interagem com a superfície que os acolhe, ao mesmo tempo que permitem ao espetador, através da observação e da deslocação, uma nova experiência no modo de pensar e ver o desenho. Servindo-se da parede como se de uma folha em branco se tratasse, António Bolota pontua-a com desenhos feitos a partir da manipulação do papel, desenhos-objetos, esculturas cujos jogos de volumes e sombras projetadas na parede, criam novos desenhos e acentuam o caráter objetual da obra apresentada. Desenhos que não se fazem no papel, mas a partir deste, num exercício próximo da escultura em que a matéria é intervencionada pelo artista através de desdobramentos, modulações e projeções. Explorando a bidimensionalidade e a tridimensionalidade, as peças de António Bolota promovem um diálogo entre o plano, a matéria, a cor e a sombra, não sendo inocente a opção curatorial em apresentá-las com a série de desenhos de Julião Sarmento (n.1948), How to handle (2017). O depuramento do desenho que resumido ao seu essencial, assume o papel de protagonista e que tem no grafite o seu material de eleição, por nele se concentrarem as potencialidades expressivas, é alcançado no conjunto apresentado. Ausente de referências espaço temporais, o olhar do espetador concentra-se no sentido do gesto e na dimensão presente desse mesmo gesto [5]: o de segurar um livro. Mãos que carregam, que folheiam, que manuseiam livros, remetendo-nos para uma ação sobre o objeto e para a passagem do próprio tempo, evocando simultaneamente o protagonista cuja identidade não é revelada – a do leitor. Quais voyeures observamos a posição das mãos e o modo como estas agem face ao objeto, reveladoras dos comportamentos do leitor: se apenas segura o livro, se o folheia, se o lê. A cada desenho da série, Julião Sarmento faz corresponder um livro que o artista associa a um determinado autor, provavelmente da sua eleição e ao qual faz corresponder um gesto, apresentando para cada livro uma forma diferente de o segurar. Não impondo uma narrativa ao espetador, a associação dos desenhos de Julião Sarmento às peças em papel de Bolota, permite-nos explorar o que as imagens dos dois artistas em conjunto sugerem: o registo de uma ação suspensa, a fração do movimento em folhas de papel. As sugestões de leveza, fragilidade, de voo e de movimento, que o conjunto nos evoca parecem materializar-se no registo espontâneo e intuitivo do esvoaçar das Figueiras (s.d,1960s) de Júlio Pomar (n.1926). As linhas abstratas, cujos traços imediatos e firmes imprimem no papel perceções e sensações de movimento, atraem o espetador pela simplicidade das formas, pela sensualidade das curvas e por uma aparente ingenuidade que nos desarma, revelando-nos um exercício quotidiano de desenho abstrato, visualmente rico, de linhas traçadas de um só folego. Desenhadas a tinta sobre papel num caderno, a partir da janela da sua casa no Algarve, as figueiras de Júlio Pomar são também o registo do vento, o vento que encontramos no jardim de Alberto Carneiro.

Estes desenhos, de facto, não são da figueira, mas da forma como uma figueira pode ser compreendida no movimento que o subtil vento lhe confere. Por todos os motivos é um conjunto de desenhos excepcional, quase uma aplicação dos preceitos de Leonardo sobre o desenho do vento — como se pode representar o que é irrepresentável? (…) [6]

Qual chuva que embate no vidro, transportada pela força do vento - talvez o mesmo dos desenhos de Júlio Pomar e de Alberto Carneiro - Joana Escoval (n.1982) tece, na superfície de uma das paredes, leves ligas de prata que compõem a instalação Rain (IX) (2019). Condutores de energias e tensões, os fios metálicos de Joana Escoval imprimem ritmo à composição ao mesmo tempo que desenham movimentos provocados pela chuva e pelo vento, que podemos interpretar como tradução da ideia de transformação inerente à matéria que a artista convoca nas suas esculturas e instalações. À mediada que observamos a representação da chuva de Joana Escoval mergulhamos num tempo suspenso, num instante apreendido que nos é oferecido pela artista, na apreensão dos elementos na sua urgência, mas que sem aviso pode desaparecer. A sensação de transitoriedade e de efemeridade que a instalação desperta é acentuada pelas diferentes leituras que propicia consoante a posição que o observador ocupa. Assim como a chuva parece invisível, a obra de Joana Escoval permite uma observação difusa, uma transparência silenciosa que apela à contemplação, não só pela delicadeza do material que a compõe, mas também pela repetição dos elementos que transmitem uma sensação de leveza e impermanência ao conjunto.

A partir da mostra selecionada no presente artigo, somos confrontados com a presença de obras na exposição que não partindo de um desenho convencional sobre papel, remetem-nos para a ideia de desenho enquanto pensamento, projeto, ensaio e esboço. Mais nada se move em cima do papel no Centro de Artes de Águeda, afirma-se como uma mostra eclética, que reunindo num mesmo espaço artistas de gerações e formações diversas, se destaca pela qualidade e diversidade de meios. Passando pelo desenho, escultura, instalação ou som, são diversos os temas que integram a exposição, resultando numa união de projetos e de artistas cuja fluidez do diálogo e do traço parece ter existido desde sempre.

Não poderíamos concluir sem mencionar a importância da exposição e do ciclo para uma reflexão sobre a emancipação e o protagonismo do desenho que reivindica o seu lugar de mediador entre a imaginação e a observação, entre o pensamento e a mão. O desenho como parte de um pensamento visual que origina a obra de arte, como expressão mental, como procura de uma imagem transcendental, algo inatingível, pois como nos refere Al Berto no primeiro verso do poema que empresta o título à exposição: mais nada se move em cima do papel.

 

 

 

Mafalda Teixeira
Mestre em História de Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, estagiou e trabalhou no departamento de Exposições Temporárias do Museu d’Art Contemporani de Barcelona. Durante o mestrado realiza um estágio curricular na área de produção da Galeria Municipal do Porto. Atualmente dedica-se à investigação no âmbito da História da Arte Moderna e Contemporânea, e à publicação de artigos científicos.

 

 

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Artistas

Alberto Carneiro, Ângela Ferreira, António Bolota, Fernanda Fragateiro, Joana Escoval, Jorge Feijão, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Luisa Cunha, Luís Paulo Costa, Nuno Sousa Vieira, Pedro Tropa, Rita Ferreira, Rita Gaspar Vieira, Rui Chafes, Rui Sanches, Sara Bichão, Sara Chang Yan, Teresa Segurado Pavão

 

 

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Notas

[1] Exposição inaugurada a 14 de novembro de 2020 no espaço expositivo do Centro de Artes de Águeda, onde permanecerá em exibição até ao dia 23 de maio de 2021. Com curadoria de Sara Antónia Matos, Mais nada se move em cima do papel, reúne obras de 18 artistas portugueses que têm trabalhado o desenho como um registo indisciplinado.
[2] Ciclo de exposições e conversas sobre a prática do desenho, concebido pelo artista plástico Alexandre Baptista. A programação de O Desenho como pensamento desenvolve-se no Centro de Artes de Águeda e espaços convergentes, de 5 de setembro de 2020 a 31 de julho de 2021.
[3] A peça sonora Words for Gardens foi apresentada pela artista na Bienal de Sidney de 2004, que contou com a direção artística da curadora portuguesa Isabel Carlos. Ao contrário do que acontece na exposição atual, na Bienal de Sidney a instalação foi apresentada no exterior, escutando os visitantes a narrativa a partir de auriculares, sentados num banco dos Royal Botanical Gardens da cidade.
[4] Sara Chang Yan, Part I. Produção: Galeria Madragoa, Lisboa. Vídeo: Vitor Garcia, 2020. Disponível online.
[5] ALMEIDA, Bernardo Pinto de - Sobre Julião Sarmento. Lisboa: Quetzal, 2012, p. 222.
[6] SARDO, Delfim - “Do que falamos quando falamos de desenho?” In Caveiras, casas, pedras e uma figueira. Lisboa: Atelier-Museu Júlio Pomar, Documenta, 2013, p. 32.

 

 

 

 



MAFALDA TEIXEIRA