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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Vista da exposição Detour, de Pedro Casqueiro. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Pedro Casqueiro Frequência #1-#53, 2018. Exposição Detour, MAAT. Cortesia Fundação EDP/MAAT. © Bruno Lopes


Pedro Casqueiro, série Tone Test, 2022. Acrílico sobre tela, 70 × 50 cm. Exposição Detour, MAAT. © Julia Ugelli

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ARQUIVO:


PEDRO CASQUEIRO

DETOUR




MAAT
Av. de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa

12 NOV - 06 ABR 2026


 

 

O mais fascinante, na obra de Pedro Casqueiro, é a renúncia: à historicidade, à obrigatoriedade de um sentido, à linearidade cronológica, e manifestação evolutiva da obra do artista. Nas diferentes obras, presentes na exposição antológica Detour, que agora decorre no MAAT, de cerca de 80 pinturas, Casqueiro permite-nos, na sua pintura, o reconhecimento de vários recuos, avanços, regressos, antinomias, circularidades, confrontos e ligações.

A mais evidente passagem, e marca transformadora, de Casqueiro, no tempo, concebido como um fluxo sequenciado – toda a sua obra prende por um movimento ondulatório, compreendido por uma revisitação e adopção de signos já aplicados pelo artista em diversas obras do passado – manifesta-se por uma fase inicial, densa e matérica na sua pintura, reconhecida pelo uso primordial da textura espessa na superfície da tela, acompanhada de cromatismos densos e vivos, para, numa fase posterior, mais recatada, e suave, optar por uma aplicação de tons pictóricos, e tratamentos em velatura. Também este movimento pendular, é apresentado pelo recurso, do artista, ao abstracto, nas suas mais diversas vertentes formais, geométricas, expressionistas, e o figurativo, onde é possível observar a destreza do artista no campo da observação, e representação, do real.

O apontamento dado a uma exterioridade cronológica, com os seus staccatos, entre as similitudes e desvios, reversibilidades, e subjectividades, visíveis pela incursão de obras, dos anos 90, 2000, mais recentes, e a enfâse dada, no início do percurso expositivo, à incursão de obras que realizou no anos 80 do século passado, revigoram as associações a Warburg, com a correspondente transmissão, assimilação, transposição da historicidade das formas artísticas [1]. É justamente o curador da exposição, João Pinharanda, que refere a história de arte, como uma das referências empreendidas na obra exposta de Pedro Casqueiro.

 

Pedro Casqueiro, Chromophobia (2014). Acrílico sobre tela,120 x 80 cm

 

O artista, nas suas descontinuidades, e rupturas discursivas, com o recurso a diferentes media (entre eles, o uso de telas impressas), revisita (e manipula) múltiplas referências da imagética gráfica popular, como o lettering onomatopaico (a palavra escrita em Cromophopia, 2014, e Frequência, 2018), a arquitectura moderna, a banda desenhada (Rogue, Sorry, 2021, Série Tone Test, 2022) e a Pop Art, esta última assente na apropriação de processos como o pontilhismo de Ben-day, associado a Roy Liechtenstein, e manifestado na série Spell, 2025, de Pedro Casqueiro.

Desafiando todas as categorizações e classificações sobre o artista, a obra de Pedro Casqueiro esclarece e explicita o poder da arte, sobretudo a pintura, de demonstrar uma propriedade expressiva infindável, não-verbal e sensorial, que vai muito além da linguagem articulada.

João Pinharanda, na conjugação das obras que deu corpo à exposição Detour, parece enfatizar, e reforçar, este horizonte das coisas indizíveis, das pequenas percepções, íntimas, colectivas, sociais, históricas, como diria José Gil [2], e também das várias contemporaneidades, nomeadas por este autor.

 

 

Carla Carbone
Estudou Desenho no Ar.co e Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Completou o Mestrado em Ensino das Artes Visuais. Escreve sobre Design desde 1999, primeiro no Semanário O Independente, depois em edições como o Anuário de Design, revista arq.a, DIF, Parq. Algumas participações em edições como a FRAME, Diário Digital, Wrongwrong, e na coleção de designers portugueses, editada pelo jornal Público. Colaborou com ilustrações para o Fanzine Flanzine e revista Gerador.


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Notas

[1] Segundo Philippe-Alain Michaud.
[2] Segundo Moita Cordeiro.



CARLA CARBONE