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ARQUEÓLOGOS DESCOBREM VASTO CONJUNTO DE ARTE RUPESTRE DA IDADE DO GELO2026-11-06Os arqueólogos descobriram um dos maiores conjuntos de arte rupestre da Idade do Gelo alguma vez registados no Mediterrâneo ibérico, lançando uma nova luz sobre o tamanho das populações e a expressão artística regional durante o Paleolítico. A descoberta de 2019, feita na atração turística Cova de la Font Major, na Catalunha, foi descrita na revista Antiquity deste mês. Embora mais de metade da arte rupestre paleolítica registada na Europa se encontre na Península Ibérica, acreditava-se que era rara na parte nordeste da região. Composta por 280 gravuras rupestres figurativas e não figurativas, a descoberta em Cova de la Font Major deitou por terra esta suposição, sugerindo não só uma população maior do que se pensava anteriormente, mas também uma população com as suas próprias tradições artísticas. Como atestam as inúmeras gravuras e grafittis nas suas paredes, os habitantes de Cova de la Font Major visitam-na há pelo menos 900 anos. Embora a sua entrada principal tenha colapsado algures durante o período romano (séculos II a V d.C.), uma inscrição datada de 1199 indica uma entrada no segundo milénio d.C., possivelmente através de uma fenda ou outro ponto de acesso. Em 1853, a Cova de la Font Major foi acedida através de um poço privado, mas apenas foram registadas visitas esporádicas até 1956, quando foi explorada e cartografada pelos membros do Centre Excursionista Pirinenc. Em 1957, a câmara municipal de Espluga de Francolí desobstruiu a entrada para permitir o acesso de visitantes, e em 1993 a gruta foi transformada em museu. Em 2011, os investigadores confirmaram que parte da entrada, destruída em 1957, tinha sobrevivido, o que levou à inclusão do local num projeto de investigação de 2018. As gravuras da Idade do Gelo foram descobertas durante a campanha de escavação do projeto no ano seguinte, quando um dos autores reparou que, entre os vários grafittis nas paredes da gruta, alguns pareciam paleolíticos. “Durante mais de seis décadas, milhares de visitantes passaram diretamente em frente às superfícies gravadas e, em alguns casos, inscreveram nomes e datas sobre as mesmas, sem que a origem paleolítica das figuras fosse reconhecida”, escreve o coautor da investigação, Josep Maria Vergès, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES-CERCA). Localizadas numa série de pequenas galerias no interior da gruta, as gravuras consistem em representações de vários animais, bem como em agrupamentos de marcas abstratas, incluindo uma composição particularmente peculiar, composta por centenas de incisões em forma de laço. Além disso, embora a rocha conglomerada irregular como a da Cova de la Font Major seja teoricamente inadequada para a arte rupestre, aqui os artistas incorporaram as suas irregularidades nas suas composições, utilizando junções de dois tipos diferentes de rocha como linhas de base para as figuras, por exemplo, ou transformando uma fissura numa superfície de água, como numa representação de veados a beber água. “A arte mediterrânica da Europa Ocidental é agora enriquecida por um novo conjunto de arte rupestre”, afirma Vergès, “o que nos permite caracterizar com maior profundidade uma tradição gráfica mediterrânica com identidade própria”. Fonte: ARTnews |















