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MUDE REVISITA 25 DE ABRIL COM AUTOCOLANTES DO ARQUIVO EPHEMERA2026-05-22Uma exposição dedicada ao papel do autocolante como meio de expressão polÃtica, social e gráfica desde o 25 de Abril inaugurou no MUDE - Museu do Design, em Lisboa, reunindo uma seleção de peças do Arquivo Ephemera. Intitulada "Autocolante: iconografia da Liberdade", a mostra ficará patente até 30 de agosto no museu lisboeta, com curadoria do historiador José Pacheco Pereira e coordenação-geral de Bárbara Coutinho, diretora do MUDE, e Rita Maltez, da Associação Cultural Ephemera. A exposição centra-se no estudo do núcleo de autocolantes do Arquivo Ephemera, propondo uma leitura da história da democracia portuguesa através destes pequenos suportes gráficos, frequentemente secundarizados face ao cartaz, à bandeira ou ao panfleto, aponta a organização, em comunicado. O autocolante constitui "um desafio de design gráfico exigente", por exigir a sÃntese de mensagens polÃticas, sociais ou ideológicas num espaço reduzido, convocando recursos de composição, tipografia, cor e impressão. A seleção apresentada resulta de uma escolha entre milhares de exemplares e percorre diferentes momentos da vida democrática portuguesa após a Revolução de 25 de Abril de 1974, desde o ativismo polÃtico e partidário à s lutas ligadas ao ambiente, aos direitos civis e à defesa da diferença. O conjunto evidencia a forma como este suporte foi utilizado por partidos, movimentos, associações e cidadãos anónimos como instrumento de comunicação e intervenção pública, permitindo observar a evolução das linguagens visuais e das formas de cidadania ao longo de várias décadas. Para o MUDE, a análise destes materiais revela também "como as palavras de ordem de outrora continuam a ecoar na atualidade", transformando-se em função de novas práticas de participação polÃtica e intervenção social, segundo o comunicado do museu. A exposição tem ainda como objetivo "reafirmar a missão do museu de valorizar o 'design' presente no quotidiano", defendendo que este não se limita "a assinaturas prestigiadas e objetos de exceção", mas manifesta-se também em formas de comunicação consideradas menores ou efémeras. José Pacheco Pereira assina os textos que acompanham os diferentes núcleos expositivos e sublinha, no catálogo da mostra, o contraste entre a dimensão reduzida do autocolante e os valores que transporta. "A minha liberdade fala por via desse humilde pedaço de papel, da sua imagem e das suas palavras", escreve o curador num dos textos, acrescentando: "Cada uma das vozes dos autocolantes não dá origem a uma cacofonia, mas a um coro. O coro da liberdade". Ao longo do percurso expositivo, os visitantes serão convidados a participar na identificação de nomes, movimentos e autorias gráficas associadas aos materiais apresentados, contribuindo para a construção de um conhecimento coletivo sobre a memória visual da democracia portuguesa. |













