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COMISSÃO EUROPEIA DEU À BIENAL DE VENEZA 30 DIAS PARA “LIMPAR O SEU NOME” EM RELAÇÃO À INCLUSÃO DO PAVILHÃO RUSSO2026-04-15A Comissão Europeia, um organismo independente da UE responsável por fazer cumprir a legislação da União Europeia, deu à Bienal de Veneza 30 dias para "limpar o seu nome" em relação à inclusão do Pavilhão Russo na edição de 2026, de acordo com uma notícia do jornal La Repubblica, que teve acesso à carta. A carta, que alega que a Bienal violou as sanções da UE contra a Rússia, pede à organização que "responda a estas alegações" e "nos informe sobre quaisquer medidas corretivas que pretenda adotar". Em causa está uma subvenção de 2 milhões de euros (2,3 milhões de dólares) que a Comissão está preparada para "suspender ou cancelar" por completo e que seria destinada à realização da edição de 2028. Se a Bienal mudar de ideias sobre a inclusão da Rússia, a Comissão irá quase certamente prosseguir com o desembolso da subvenção. “Na nossa opinião”, lê-se na carta, “o facto de — no contexto da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia — a Bienal ter aceite a participação de artistas russos como uma ‘delegação governamental’ (cuja participação é totalmente financiada e promovida pelo governo russo) através de um pavilhão nacional implica que a Bienal parece ter aceite o apoio indireto do governo russo em troca da concessão de uma plataforma cultural.” A Agência Executiva de Educação e Cultura da Comissão Europeia enviou a carta ao presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, na sexta-feira, 10 de abril, com data limite de resposta até 11 de maio, ou seja, dois dias após a abertura pública da Bienal, a 9 de maio. A Comissão Europeia contactou também diretamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano, através de uma carta datada de 26 de março, segundo o jornal Repubblica. Esta carta solicita ainda que o ministério tome uma posição sobre a inclusão da Rússia, alegando que “o pavilhão poderá servir de plataforma para mensagens patrocinadas” pela Rússia ou “contribuir de alguma forma para a burla das sanções da UE”. A Comissão solicitou uma resposta no prazo de uma semana, mas, segundo os relatos, ainda não a recebeu. O ministério informou o Repubblica que ainda está a elaborar a sua resposta. De acordo com o Repubblica, o Ministério dos Negócios Estrangeiros está agora a coordenar com o Ministério da Cultura a formulação da resposta, tendo este último enviado todos os documentos recebidos da Bienal. Esta resposta poderá ser divulgada antes do prazo limite de 11 de maio, dado que o Conselho dos Assuntos Externos da UE tem uma reunião agendada para 21 de abril, na qual a Rússia estará incluída na agenda e sobre a qual se espera que a Itália preste declarações. A decisão da Bienal deverá também ser discutida esta semana, quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, se reunir com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no Palazzo Chigi, em Roma, na quarta-feira. O governo de Zelensky anunciou na semana passada sanções contra cinco figuras da cultura russa envolvidas no Pavilhão Russo de 2026, incluindo a comissária Anastasia Karneeva. Até ao momento, Meloni evitou tomar uma posição sobre a inclusão da Rússia, embora tenha enfatizado a autonomia da Bienal nas suas decisões em relação ao governo italiano. O jornal Repubblica observa que a presença de Meloni na abertura pública, a 9 de maio, é incerta. Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro de Meloni, classificou a ameaça da Comissão Europeia de reter fundos como "chantagem vulgar alegadamente praticada pela burocracia europeia", acrescentando: "Estamos realmente à beira da loucura", segundo a Euro News. Fonte: ARTnews |













