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MUSEU DO PRADO TOMA MEDIDAS PARA CONTER A SOBRELOTAÇÃO2026-01-23O problema dos museus mais famosos do mundo é precisamente o facto de serem os museus mais famosos do mundo. Visitar instituições de arte prestigiadas pode parecer um exercício de equilíbrio no meio da multidão, em vez de um momento de ligação genuína com a arte em exposição. Já não é surpresa quando, durante a movimentada época de verão, os títulos anunciam que mais uma obra de arte ou artefacto foi partido ou danificado por um turista desatento ou por uma criança sem supervisão; seja a implosão de uma cadeira coberta de cristais Swarovski onde um visitante se sentou para tirar uma fotografia, ou um vaso da Idade do Bronze partido por uma criança "curiosa para saber o que estava lá dentro". Enquanto os maiores museus do mundo lutam contra a sobrelotação e o impacto do turismo de massas, o Museu do Prado, em Madrid, está a traçar uma linha: depois de ter recebido um número recorde de 3,5 milhões de visitantes no ano passado, o seu director afirma que a instituição madrilena não quer nem precisa de mais visitantes. O museu, que alberga obras de arte que definiram épocas, como “O Jardim das Delícias Terrenas” (1490-1510), de Hieronymus Bosch, “O Três de Maio de 1808” (1814), de Francisco Goya, e “Las Meninas” (1656), de Diego Velázquez, recebeu um número recorde de 3,5 milhões de visitantes no ano passado (um aumento de 56 mil em relação aos números de 2024). Longe de ambicionar bater o recorde pela segunda vez, o seu diretor, Miguel Falomir, declarou que o museu não quer — nem precisa — de “mais um só visitante”. Vítimas do próprio sucesso O Prado registou um aumento de mais de 816 mil visitantes na última década. Numa conferência de imprensa na quarta-feira, 14 de janeiro, Falomir alertou contra a busca desenfreada por um número crescente de visitantes: “O sucesso de um museu pode levá-lo ao colapso, como aconteceu com o Louvre, com algumas salas a ficarem sobrelotadas. O importante é evitar o colapso”. O Louvre é o museu mais visitado do mundo e recebeu 8,7 milhões de visitantes em 2024, graças à atração de obras-primas como a “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci — mas não sem problemas. Uma carta que foi divulgada em janeiro passado mostrava a diretora do museu, Laurence des Cars, a queixar-se de que “os visitantes não têm espaço para fazer uma pausa” do “desgaste físico” da visita ao museu. A deterioração das condições e as vulnerabilidades de segurança levaram também a greves em grande escala em Dezembro, aumentando os pedidos de demissão de Des Cars, a primeira mulher a liderar a instituição. Na conferência de imprensa, Falomir, diretor do Prado desde 2017, anunciou o “Plano Host”, o novo projeto do museu que visa limitar o número de visitantes para preservar a qualidade da experiência. “A quantidade não é tão importante como a qualidade; deve haver um público diversificado e inclusivo”, afirmou Falomir. “Não pode ser como apanhar o metro na hora de ponta.” A inclusão está no cerne desta nova missão, e Falomir salientou que 65% dos visitantes do Prado em 2025 eram turistas estrangeiros. Tornar a instituição mais atrativa para o público espanhol é agora uma prioridade para o museu. Outras instituições culturais populares também estão a abandonar a mentalidade de crescimento a qualquer custo em relação ao número de visitantes. Em novembro, Pompeia, que recebeu um número recorde de quatro milhões de turistas no verão passado na antiga cidade outrora soterrada em cinzas, anunciou que iria estabelecer um novo limite diário de 20.000 visitantes, que poderiam agendar a visita para um de dois horários disponíveis e deveriam apresentar um documento de identidade na compra dos bilhetes. Dois anos antes, a Acrópole, antiga cidadela da Grécia, tinha estabelecido o mesmo limite de 20.000 pessoas. Fonte: Artnet News |













