|
|
PROJETO 'CASAFLORESTA': CICLO DE EVENTOS NA SERRA DA ESTRELA PARA PENSAR O FUTURO DA FLORESTA2023-06-06Nos próximos três fins-de-semana de junho, a iniciativa artÃstica "à escuta" irá apresentar os resultados do projeto CasaFloresta através de instalações, assembleias com as comunidades e caminhadas na Serra da Estrela. Sob o tÃtulo Casa Aberta, as mostras na Casa da Guarda dos Covões (Balocas, Seia) e Frádigas, a sul da serra, e em Figueiró da Serra, a norte, bem como a performance CasaFloresta: espectáculo + assembleia na Casa da Cultura de Seia, desafiam o público para um debate em torno de novas formas de conviver com a floresta. As apresentações são um dos momentos de partilha de um trabalho artÃstico e interdisciplinar de vários meses, centrado na floresta em diferentes territórios da Serra da Estrela e que acabou por ser marcado pelo incêndio de agosto do ano passado. Ao longo dos meses de junho a setembro de 2022 o projeto à escuta: CasaFloresta, desenvolvido por Joana Sá, LuÃs J Martins, Corinna Lawrenz e Nik Völker, reuniu comunidades de dois extremos da Serra da Estrela e colaboradores de diversas áreas para pensar o futuro da floresta a partir de memórias das comunidades e dos seus desafios atuais, bem como a partir do confronto com trabalhos de pesquisa e práticas artÃsticas e ativistas de outros lugares. Destes encontros e das recolhas realizadas com o apoio do realizador Lucas Tavares, nasceram um espectáculo e uma instalação que estrearam, em dezembro de 2022, no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, levando as urgências do interior para os centros urbanos. PROGRAMA O ciclo de eventos Casa Aberta traz agora o conjunto de trabalhos de volta à s comunidades no território, apresentando-os na Casa da Guarda dos Covões - Balocas, Seia (10 de junho), Frádigas (11 de junho) , Seia (17 de junho) e Figueiró da Serra (24 e 25 de junho). O ciclo inicia-se no dia 10 de junho, abrindo as portas da Casa da Guarda dos Covões (Balocas, Seia), a antiga casa florestal que foi ponto de partida e espaço de residências do projeto. As partilhas de diferentes outputs nas várias divisões, permitem que as relações afetivas, memórias e vivências recentes da casa transformem este espaço, outrora reservado aos serviços florestais, num espaço público e de encontros. No exterior, com vista para o planalto da Serra da Estrela, uma assembleia irá levantar a questão: Como conviver com a floresta? No dia 11 de junho, uma caminhada e ação de controle de plantas invasoras na aldeia de Frádigas irá não só proporcionar o contexto para voltar a falar em possÃveis respostas, mas também aplicá-las no terreno, dando continuidade a um trabalho de controle de mimosas junto ao rio Alvoco, iniciado em junho de 2022. No dia 17 de junho, a Casa da Cultura de Seia irá abrir as portas para a apresentação de CasaFloresta: espectáculo + assembleia que se relaciona com todo o trabalho realizado em e com as comunidades ao longo do verão de 2022. Num palco-floresta entrelaçam-se os instrumentos de Joana Sá (piano e outros) e LuÃs J Martins (guitarras variadas e outros) com recolhas áudio e gravações vÃdeo do realizador Lucas Tavares, realizadas no decorrer do projeto. Após a estreia em Lisboa, o espectáculo interliga-se agora, nesta primeira apresentação em território da Serra da Estrela, com uma assembleia que convida à partilha de ideias entre público, parceiros do projeto e comunidades das aldeias. Por fim, nos dias 24 e 25 de junho, o projeto volta a apresentar-se nesse contexto de aldeia, trazendo o conjunto de trabalhos a Figueiró da Serra (Gouveia). Mas não se trata de uma simples itinerância, como refere Joana Sá: “Desde o inÃcio, um dos objetivos do nosso trabalho foi que CasaFloresta fosse um convite à escuta de diferentes territórios e que cruzasse vozes e perspetivas de dois lados da Serra. Da mesma forma, vamos também adaptar as apresentações à s realidades, questões e urgências especÃficas de cada lugar.†Em Figueiró, os outputs do projeto serão apresentados, na noite de sábado, no Salão Paroquial no centro da aldeia, numa sala grande que permite circular entre elementos da CasaFloresta - recolhas em áudio e vÃdeo, instalações que põem os dois extremos da Serra em relação entre si e com outros espaços florestais, reflexos do espectáculo, fotografias, textos e objetos do processo de trabalho e do habitar da CasaFloresta. A mostra também convida a descobrir o anti-mapa virtual do projeto. No final da tarde de domingo, a caminhada: à escuta irá juntar comunidade e visitantes num percurso que reflete desafios do território, e convida à escuta de recolhas, culminando numa assembleia: convÃvio nas lagoas de Figueiró, à sombra de cedros que sobreviveram ao incêndio de 2022. A escolha do local não foi acaso, explica Corinna Lawrenz: “QuerÃamos que a experiência do incêndio estivesse presente, mas não querÃamos musealizá-la. O agosto de 2022 foi um momento transformador, e escolhemos este sÃtio nas lagoas propositadamente para refletir sobre ele com a comunidade alargada, porque nele ressoa muito desta transformação.†A partilha destes vários espaços é também uma das respostas do projeto à questão a que se propôs desde o inÃcio: Como guardar uma floresta nos dias de hoje? Perante as relações de poder que as próprias casas florestais estabeleceram e perante as urgências que voltaram a manifestar-se no decorrer do projeto, a guarda partilhada da floresta é, já por si, um ato de resistência. Mais informação: https://www.aescuta.pt/casa-floresta/sobre FONTE: PR projeto CasaFloresta |













