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ARTECAPITAL RECOMENDA


Paula Rego. O vestido cor de salmão, 2001. © Carlos Pombo


Paula Rego. O Exilado (Um velho exilado sonhando a sua juventude), 1962-63. © Luísa Ferreira

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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


PAULA REGO

O Exilado: da Criação à Conservação / Paula Rego: Meninas Exemplares




CASA DAS HISTóRIAS PAULA REGO
Avenida da República 300
2750-475 CASCAIS

31 MAR - 31 JAN 2027


INAUGURAÇÃO: 31 de março, 18h, na Casa das Histórias Paula Rego



A Casa das Histórias Paula Rego inaugura duas novas exposições:

"Paula Rego: Meninas Exemplares" — uma exploração da figura da menina-mulher na obra da artista, reunindo séries fundamentais da sua obra gráfica, como "Jane Eyre", "Bruxas de Pendle" e "Mutilação Genital Feminina", numa mostra com curadoria de Catarina Alfaro, patente até 31 de janeiro de 2027.

"O Exilado: da Criação à Conservação" — a primeira exposição do museu dedicada ao estudo técnico e ao restauro de uma obra de Paula Rego, tornando visível ao público o processo de investigação e conservação de "O Exilado (Um velho exilado sonhando a sua juventude)", de 1962-63, cuja versão restaurada é apresentada na exposição.




PAULA REGO: MENINAS EXEMPLARES
31 de março de 2026 a 31 de janeiro de 2027

Com curadoria de Catarina Alfaro, a mostra explora a figura da menina-mulher, um tema recorrente no universo da artista, que via nas crianças também um lado selvagem e brutal.

O título remete para o universo da literatura infantil da Condessa de Ségur (1799–1874) que marcou a imaginação de Paula Rego desde criança. Nessas histórias de raparigas bem-nascidas, que se comportam de forma terrível, a artista reconheceu um princípio que atravessa toda a sua obra: a infância não é o lugar da inocência, mas uma fase onde o bem e o mal coexistem sem simplificação, e onde as crianças exercem um poder real sobre o mundo dos adultos.

O percurso expositivo, entre a sala 1 e a sala 6, reúne séries fundamentais da obra gráfica de Paula Rego. Em destaque, as litografias coloridas à mão "O vestido cor de salmão" e "Comunhão", inspiradas em dois poemas de Adília Lopes (1960–2024), e que são apresentadas com os versos que estão na sua origem. “As características emocionais e comportamentais das meninas, assim descritas por Adília Lopes nos poemas, revelam aspetos da personalidade de ambas as criadoras: desafiadoras, desconcertantes, irreverentes, e que afirmam a sua expressividade num país manifestamente patriarcal e católico, ainda marcado pela rigidez da realidade política e social”, ressalta a curadora Catarina Alfaro.

Numa exposição que evidencia também a profunda influência da literatura na obra de Rego, destacam-se ainda obras das séries "Jane Eyre" (2001–2002) e "Bruxas de Pendle" (1996), inspiradas respetivamente na obra de Charlotte Brontë e de Blake Morrison, que exploram a complexidade, o sofrimento e a psicologia feminina: da sedução e do domínio à resistência e à afirmação da identidade.

A exposição inclui ainda a série "Mutilação Genital Feminina" (2009), um dos momentos mais contundentes do percurso da artista. Composta por seis gravuras, denuncia práticas de violência de género que afetam meninas em várias partes do mundo, revelando a dimensão cívica e política da obra de Paula Rego.



O EXILADO: DA CRIAÇÃO À CONSERVAÇÃO

A Casa das Histórias Paula Rego inaugura, a 31 de março de 2026, a exposição "O Exilado: da Criação à Conservação", numa iniciativa da Fundação D. Luís I com o apoio da Câmara Municipal de Cascais. Pela primeira vez, o museu apresenta uma mostra exclusivamente dedicada ao estudo técnico e ao restauro de uma obra de Paula Rego, abrindo ao público um processo que habitualmente decorre longe do olhar dos visitantes.

A conservação do acervo é uma das missões permanentes e mais importantes da Casa das Histórias Paula Rego. Esta exposição torna visível o que normalmente permanece oculto, permitindo acompanhar os métodos, as decisões e os critérios que orientam a preservação de uma obra ao longo do tempo, aproximando o público dos bastidores da investigação e da conservação.

No centro da mostra está “O Exilado (Um velho exilado sonhando a sua juventude)”, obra de 1962-63 pertencente à Coleção da Câmara Municipal de Cascais / FDLI / CHPR. Trata-se de um dos primeiros exemplos das "pinturas-colagens" de Paula Rego, técnica decisiva na fase inicial da artista e marcada pela experimentação. Pela primeira vez em Portugal, uma obra da artista foi alvo de um estudo técnico e material aprofundado, apresentado através de imagens e explicações detalhadas um percurso que culmina com a exibição da pintura restaurada.

A investigação, conduzida pelas conservadoras restauradoras Laura Bacalhau e Sara Babo, do Departamento de Conservação e Restauro da NOVA FCT, e Sílvia Sequeira, do Laboratório José de Figueiredo, Museus e Monumentos de Portugal, EPE, e pela curadora Catarina Alfaro, coordenadora de Programação e Conservação da CHPR, combinou observação visual, imagiologia com diferentes tipos de radiação, análises laboratoriais, testes microquímicos e pesquisa documental. O estudo revelou colagens ocultas, alterações compositivas e sobreposições de materiais que clarificam o processo criativo característico das "pinturas-colagens" de Paula Rego, permitindo compreender tanto a construção da obra como os mecanismos de degradação que a afetaram ao longo de mais de seis décadas.